Russell Brand: In Plain Sight
Há 4 horas
O Fim do Mito da Fragilidade Feminina
Espírito nobre, beneficente! a quem devo tudo o que sou. O seu cuidado protetor acolheu-me e guiou-me não só ao longo da minha desamparada infância e irrefletida juventude, como, também, quando atingi a idade adulta, até os dias de hoje. Ao trazer um filho como eu para o mundo, você fez o possível para ele sobreviver e desenvolver sua individualidade em um mundo como este. Sem sua proteção, eu teria perecido umas cem vezes mais. Um viés decidido, que se transformou apenas em uma agradável ocupação, foi profundamente enraizado no meu próprio ser para eu fazer violência à minha natureza e forçar-me, descuidado da existência, na melhor das hipóteses, a dedicar meu intelecto tão-somente à preservação da minha pessoa; meu único objetivo na vida, como assegurar o meu pão de cada dia. Você parece ter entendido isso; ter entendido de antemão que eu não estaria qualificado para lavrar a terra, ou para ganhar o meu sustento, dedicando as minhas energias para qualquer ofício mecânico. Você deve ter previsto que o seu filho, oh altivo republicano! não iria suportar a rastejar perante ministros e conselheiros, Mecenas e seus bajuladores, em companhia com a mediocridade e o servilismo, a fim de implorar, ignobilmente, por pão amargamente merecido; que ele não teria coragem de se iludir com uma inflada insignificância, ou juntar-se à multidão servil de charlatães e trapalhões; mas que, como seu filho, ele iria pensar como Voltaire, a quem você honrou, 'Nós só temos dois dias para viver: não vale a pena se rastejar perante joquins desprezíveis.'
Por isso eu dedico o meu trabalho para você, em sua homenagem, os agradecimentos que devo a você e mais a nenhum outro. "Pois nenhum César [imperador] nos proprocionou o ócio necessário".
Que eu fui capaz de cultivar as energias com que a natureza me dotou, e colocá-las para sua utilização adequada; que eu fui capaz de seguir o meu viés inato, de pensar e de trabalhar para muitos, enquanto ninguém fez absolutamente nada por mim: isso eu devo a você, meu pai; eu devo isso à sua atividade, sua sabedoria, sua frugalidade, sua deliberação em relação ao futuro. Portanto, eu honro você, meu nobre pai, e por isso, quem encontrar algum prazer, conforto ou instrução no meu trabalho, deve conhecer seu nome, e saber que, se Heinrich Floris Schopenhauer não tivesse sido o homem que foi, Arthur Schopenhauer teria tropeçado cem vezes. Deixo a minha gratidão traduzir a única homenagem possível para você, que teve a vida encerrada: deixe-me ostentar teu nome, na medida em que o meu é capaz de carregá-lo.



